há manhãs em que acordo assim. desmotivado, sem esperança. independentemente do que tenhamos conversado ou feito há escassas horas atrás.
não sei propriamente explicar donde brotam estes sentimentos. mas sei que os sinto.
já percebi plenamente que dás valor à minha presença e que, até certo ponto, até temes que eu desapareça. mas sinto que nunca iremos passar desse nível. muita vez, penso que atingimos o topo daquilo que me podes dar.
não chega, claramente. mas, ainda assim, os dias são bem melhores contigo aí.
acordei tristonho. com saudades de ti. mais que provavelmente, acusando a distância e a mediocridade de contacto no fim-de-semana que terminou.
não consigo decifrar porque foste naquela noite. porque se a tua ida foi algo de surreal para mim, não foi nada de especial o contacto posterior. mas é apenas mais um nó cego para este cérebro revirado.
não sei até quando vai durar esta fase. por mais coisas boas que tenha, nada avança palpavelmente. e muita vez, sinto o coração cansado. mas sei, melhor que ninguém, que nunca consigo fugir ou sequer proteger-me de ti.
isto é quase como perguntar: a que horas será a minha implosão? a minha nova e ultimada implosão. a minha desesperada e asfixiante implosão. a minha solitária implosão. que sempre obriga a ter que limpar os meus próprios cacos.
e eu gostava tanto que isto terminasse bem.
"Tens o olhar vazio." — alguém me disse há minutos.
Devem ser os meus olhos a tentarem vê-la no horizonte, e a não encontrarem nada que reflicta de volta.
tenho tanta coisa para te dizer. coisas novas, todos os dias. mesmo sem te ver, mesmo sem te ouvir, mesmo sem te ler.
sim, porque quando te vejo, ouço ou leio, creio que podia escrever um livro sobre o que sinto. os pensamentos e as palavras aceleram e multiplicam-se em mim.
embaciam-se-me os olhos quando te digo algo mais sentido. como quando vamos recuperar qualquer objecto querido a um baú abandonado. é como limpar o pó a esse sentimento.
gostava que, de tempos a tempos, eu viesse à tona da tua memória. como se esta sensação lutasse para sobreviver dentro de ti também, irrompendo para respirar aqui e ali.
já deambulei por tanto quilómetro, já percorri uma mão cheia de tempo. ou então, rodou tudo à volta do teu eixo. porque parece que me encontro no mesmo sítio. porque eu ainda me encontro aqui.
Como foi possível algo assim suceder? Aquela música que durante as últimas semanas me ajudou imenso a manter em pé. Aquela letra que trauteei durante dias a fio, aqui e ali. Aquela melodia ter ecoado ali, justamente naquele momento, escolhida aleatoriamente, por entre mais de 3 milhares de músicas.
E como foi possível toda a gente se afastar durante aqueles instantes? Como se o mundo atentasse pela enésima vez contra a minha cabeça, como se todo os humanos conspirassem contra o meu estado de espírito? "They say you don't look They say you don't look 'Cause it'll drive you mad And if it drives you mad Drives you mad It'll probably pass"
Mas eu olhei. Como querendo conspirar contra mim próprio.
18 dezembro 2012
é triste acabar sempre por ter que observar aquelas pessoas apenas pelo canto do olho. e, ainda assim, sentir que talvez ainda azedo mais a alma, do que mirá-las de olho cheio.
Nunca tinha ficado tão triste pela saída de um treinador. Logicamente que há motivos para que isso aconteça.
Logo para começar, normalmente saem quando são despedidos, e não por sua vontade. Segundo porque estamos a falar do melhor treinador de sempre da história do Barcelona.
Lembro-me da insegurança sentida quando Guardiola foi promovido da equipa B para a equipa principal. Pese embora o seu trabalho na equipa secundária tivesse sido brilhante, era um treinador sem a calo que os antecessores já teriam quando chegaram ao Nou Camp.
A insegurança acabou por desaguar num período dourado para Barça, com contínuas conquistas e a prática de um futebol belo e desconcertante. Foi claramente a melhor equipa que os meus olhos já viram. E Pep cedo nos habitou ao seu discurso seguro, sereno e consistente. Nunca abandonou, em nenhuma altura, o seu raciocínio, nem perdeu as estribeiras.
Obviamente que os sucessos obtidos ajudam, mas Pep encantou também pela sua forma estar. Um gentleman a toda a prova e do qual praticamente todos os culés tinham (e terão) orgulho. Reviam nele a personificação do Barça. Como o atesta a entrega dos adeptos depois da recente eliminação aos pés do Chelsea. Acabado o jogo, todos permanceram nas bancadas, gritando com alma o hino do clube.
Pep, tal como a sua equipa no relvado, destila estilo e contorna com classe as perguntas e os desafios. Mais do que saber perder, soube ganhar.
Tendo assistido à magnífica conferência de imprensa, onde anunciou a saída, foi notória para mim a tristeza que o semblante de todos emanava. E a paixão das palavras de Pep, ele já acostumado à ideia de abandonar o Nou Camp. E tem sido também emocionante ler o desfile dos comentários de diversos jogadores, através das redes sociais. Denota-se perfeitamente o carinho e o respeito entre eles e o homem que os comandará ainda até final da época.
E é verdadeiramente complicado imaginar o Barça sem ele à frente do banco. Até porque durantes estes últimos anos consegui estreitar a minha ligação àquele emblema. A minha visita a Barcelona, onde tive a sorte de viver uma final da Liga dos Campeões no meio dos adeptos locais e de presenciar no estádio a celebração dessa mesma vitória, tornaram o meu sangue ainda mais blaugrana.
Resta-me agradecer-lhe, por todas as inúmeras alegrias que me proporcionou; por todo o futebol delicioso que permitiu observar; por toda a ética que espalhou durante o seu reinado; por ter mantido sempre os pés no chão, mesmo quando todos vangloriavam a sua equipa e trabalho.
Estou certo de que não terá acabado a sua história no Barcelona. E espero poder aplaudir esse regresso em pé.
Sei que o desporto não é, de todo, a coisa mais importante do mundo. Mas sinto-me interiormente triste hoje.
04 fevereiro 2012
hoje pela manhã enviei uma mão-cheia de CVs. Passado um par de horas, recebo um SMS dizendo: Tu não prestas para nada.
Só espero que ambas as acções não estejam relacionadas.
2011 foi o ano em que me desafiei a reanimar este blog. Passaram doze meses e postei sete vezes. O desígnio foi automaticamente transferido para 2012, nem que fosse para disfarçar a falta de desígnios.
2011 foi um dos anos mais desérticos que atravessei. Porém, simultaneamente, reforcei laços com os pilares da minha vida e foram-me surgindo ecos amigáveis vindos de fora.
2011 teve como pontos altos momentos vividos solitariamente. Os dias passados em Barcelona estão certamente no topo do meu ano passado. Olho para trás com orgulho e com uma saudade como se tivesse transcorrido um década.
2011 colocou-me problemas aos quais não estou acostumado. Preocupações com as pessoas mais chegadas a mim. E ficará como ano em que deixei de ser neto.
2012 dobra a esquina com novos desafios. O desafio de morar sozinho. O desafio de ver a carteira emagrecer, consequentemente. O desafio de ocupar melhor o meu tempo, que é meu súbdito pleno.
Normalmente, só referimos o que os outros pensam de nós quando a opinião deles é negativa.
Hoje venho aqui registar um episódio contrário. Para me lembrar que, na noite passada, ouvi um rol de coisas deliciosas por parte de diversas pessoas. Sem motivo aparente para que todas opinassem sobre mim, a verdade é que foi daquelas noites em que o universo parece conjugar-se para nos atestar o ego.
E o meu, neste instante, está inchado. E sabe muito bem.