10 janeiro 2008

Mata-me outra vez

Fará parte das leis do amor, quebrar a felicidade quando começa a ser demais? Porque é que há quem decida quebrar a curva ascendente no seu apogeu? Se esta é uma das leis, ninguém me avisou porquê?

Valerá então a pena lutar para a construção dessa curva? Ou mais vale estar quieto? Talvez doa menos no final. Será mesmo preciso perdermos as coisas para percebermos a falta que nos fazem?

Se isto tudo são as normas, eu sou um puro fora-da-lei.




Antony & The Johnsons: cripple and the starfish


"I am very happy... so please hurt me"

Estrangulamento

Neste momento sinto-me um criminoso. Ainda que agindo com justa causa e em legítima defesa. Matar um sentimento que temos dentro de nós. Deveria inclusivamente ser punível por lei.

O abortar de um sentimento. Deveria ser proibido. Era nessa opção que votaria se houvesse um referendo para esta questão. O olhar para trás e sentir a obrigação de construir auto-defesas para que esses "flashbacks" já não magoem. O pior de tudo é mesmo quando começamos a ter êxito nessa tarefa. O que anteriormente magoava imenso, começa a magoar cada vez menos.

Habituar-me a caminhar sozinho. Terminar o dia sem partilhar as minhas desventuras. Matar piadas dentro de mim mesmo, por não terem o público alvo que as iria entender. Olhar para o lado e ainda sorrir apesar de ninguém estar ali.

Se acham que deveria ir-me sentido vitorioso por isso... estão redondamente enganados. Sinto-me ainda mais triste. Porque quando tenho algo para dar, gosto de o fazer. E não há nada melhor que isso.

Hoje será apenas igual a ontem. Mas com ainda menos um bocadinho de ti.

The Smashing Pumpkins: disarm

"i used to be a little boy, so old in my shoes,

And what I choose is my choice (...)

the killer in me is the killer in you"

09 janeiro 2008

Alguém o viu?

cat power: where is my love?

07 janeiro 2008

Go!

Pensei, pensei. Vou arrumar as minhas armas, estéreis como sempre. E vou deixar-te ir...

Digo isto com uma seta atravessada no meu interior, que não me permite respirar. Com nós na garganta, que mal me permitem falar. Com névoa nos olhos, que mal me permite ver. Com gelo nas mãos, que não me permite sentir o calor de mais nada. Com memórias na mente, que não me permitem encontrar explicações ou soluções.

Com pózinhos de perlimpimpim nas veias, que não me permitem sangrar...





The Smashing Pumpkins: the last song



06 janeiro 2008

Sem reflexo

Observo o teu novo eu. O espelho desapareceu. Vejo que abalei.

E sinto-me cada vez mais longe. Mais impotente. Angustio. Azedo. Torno-me pó. E tenho pena. Lembro cada momento até ao mais ínfimo detalhe.

Não vai ser fácil. Mas é altura de arriscar. Afinal de contas, nada mais tenho a perder. Gostava de dizer muita coisa. Mas vai tudo ficar comigo. Irá tudo apodrecer comigo.
Porque há jogos que não conseguimos ganhar. Mas quando releio isto e termino sempre de olhos a brilhar, confirmo que era tudo muito especial. Como se fosse preciso confirmar.

Dá-me a tua melhor faca para cortarmos isto em dois









Não consigo.

05 janeiro 2008

Essência

Acho curioso a forma como certas sensações nos fazem recordar pessoas e momentos. Essas sensações podem ser despoletadas por diversas coisas: aromas, músicas, objectos.

No meu caso acontece maioritariamente derivado a músicas, como melómano que sou [isto significa que adoro música, não pensem que significa que ganho a vida a vender melões na berma duma estrada nacional qualquer].
A primeira coisa que faço em qualquer sítio que esteja é reparar que música está tocar. Posso dizer que esta tarde, por exemplo, tocava Josh Rouse nos provadores da H&M enquanto eu experimentava o novo pullover.

Os objectos também sempre me fascinaram. Guardo todas as coisas que me relembrem algo ou alguém especial. Por exemplo, tenho um maço de tabaco vazio no meu quarto há meses. Contudo, os objectos acarretam o problema logístico. E além disso ninguém quer ser apanhado com um pau de um chupa ingerido há anos, no bolso das calças.

Mas são os aromas que me começam a espantar. Há alguns anos nem ligava muito a este quadrante. Mas as sensações são algo incontrolável e não podemos optar se vão mexer connosco ou não.
Foi por isso que a senhora colocada à minha frente na fila dos passaportes mexeu comigo. Indirectamente como é óbvio. Foi naquele momento que a minha memória deu mais uma cambalhota.
Recuei àquele momento mágico. Correste, estendeste os braços, penduraste-te em mim.
- Cheira-me - pediste tu.
Não era preciso. O meu olfacto já te conhecia de cor há algum tempo.

The last song

Não sei que mais escrever. Gostava de poder afirmar que este seria o meu último texto sobre isto. Mas sei que não o posso garantir a mim mesmo. A instabilidade que me acompanha neste momento não o permite.

Por vezes sinto uma força enorme mas, no segundo seguinte, caio tão facilmente como um castelo de cartas.

Às vezes tento perceber que força estranha me permite sair da cama. Levantar sem temer que o pé não tenha firmeza para se apoiar. Abrir os olhos e enfrentar todos os pensamentos claustrofóbicos.
Os quilómetros de dúvidas que diariamente percorro, acabam por me deixar sempre no mesmo local. Longe de ti. Sem qualquer abrigo para me defender dos fantasmas que todas as noites me assaltam o sono.

Não sei que mais escrever. Sei sim, que nada do que escreva terá alguma importância.


04 janeiro 2008

Paragens

Fui em busca do meu café. No caminho, fiz questão de apanhar o jornal para que, durante aquele curto espaço de tempo, a minha mente fosse levada para outras paragens.

Sentei-me e pus o jornal de parte. Apeteceu-me pensar em ti. Lembrei-me de quando me sentava neste mesmo sítio, com todos os meus receios e com todos os salpicos de alegria que conseguia reunir naqueles dias. Hoje tudo estava mais negro, até o céu. Mas ainda assim, a minha mente escolheu essa paragem.

Parece que apesar de tudo, para já, estou cada vez mais aqui.

Friday Feeling

Will you?

Sorrisos

Queria muito acordar com um sorriso. Mas não um sorriso qualquer. Aquele. Sei que posso estar a ser demasiado exigente, isto para quem já não acorda com um sorriso há uns bons tempos. Mas tenho que ser sincero e aquele sorriso é mesmo o único que quero. E realmente é o que preciso e desejo.

Aquele sorriso de puto que tinha voltado a ter, quase sem dar por isso. Quando pensei que nunca fosse capaz de tê-lo.
Dizem que boas coisas acontecem àqueles que esperam. Eu esperarei. Sentado num baloiço, com o lugar a meu lado vago. Até que queiras sorrir, como uma criança também. De novo.

03 janeiro 2008

Thursday Feeling

"Esperando o comboio, que nunca virá..."

Strip


Hoje quando acordei, e ao mesmo tempo que os primeiros flocos de neve do ano, bailavam em frente à minha janela, despi o meu quarto de ti.
E foi como arrancar pedaços da minha própria pele. Cedo percebi também que vê-lo despido de ti, vai custar quase tanto como vê-lo pintado de ti.

Mais uma vez me perguntei: como pode tudo mudar tanto em tão pouco tempo? Como podem as folhas cair quando nem sequer brisas sopravam aqui?

02 janeiro 2008

Anónimo

"Depois de tropeçar, encontrei-te,
Adorei a tua glória, és a minha história,
Mas depois desiludiste-me,
Tu sabes que somos iguais

Depois do sorriso fechado, encontrei-te,
Aquele que eu amo, como que vindo do céu,
Sorris para mim, sorrio para ti,
Tu sabes que somos iguais

Não és um inimigo,
Carinhoso como o céu,
Por favor não me perguntes porquê

Eu... choro."
Tradução livre de "Nameless" - JJ72

No Verão passado, depois de uma tarde de redenção, ouvi esta música ao conduzir no caminho para casa. E deixei rodar até que as lágrimas me caíssem e depois secassem. Não chorava por nada específico, nem por ninguém. Apenas senti vontade de o fazer, enquanto olhava também para o sol a aproximar-se de mais um ocaso.

Nesse mesmo dia, horas mais tarde, uma nova estrela começou a cruzar o meu caminho, praticamente sem que desse por ela inicialmente. Passado este tempo, voltei a colocar esta música enquanto conduzia, talvez no fundo de mim, com a esperança de que se tornasse na minha música talismã. Infelizmente, as coisas não são assim tão simples. Nem nós podemos controlar certas coisas, quanto mais uma música. Mas qualquer conforto sabe bem nestes momentos.

E conforto é talvez o que precisamos, nós os que vivemos tudo em carne viva. Sem capacetes, sem redes, sem qualquer tipo de protecção. Porque quando sinto algo, não tenho medos e quero sentir isso a 100%. Mas nem todos somos assim. E acabo por ter que concluir que existem pessoas com medo de serem felizes. Porquê? Não sei. Terão que lhes perguntar.
Se há coisa na vida que deveria ser fácil, é decidir se se quer ser feliz. É o mesmo que perguntarem se quero ganhar o Totoloto e eu dizer que não, porque depois não saberia o que fazer com tanto dinheiro. Claro que quero ganhar o Totoloto. Depois, logo veria como iria gastando a fortuna.

Assim é a felicidade. Queres ser feliz? Claro que quero. Não tenho qualquer medo. E nunca me irei contentar com prémios menores, sabendo que há a possibilidade de a viver a 100%.
Sei que neste momento preciso de me esvaziar. Porque é tudo o que me resta. Mas ainda estou na fase em que não quero. Não queria desfazer-me do que sinto, apesar de saber que tal só me irá ser prejudicial. Mas sabendo que o que ainda sinto, teria tudo para me fazer feliz, custa-me apagá-lo.

Cada lágrima, cada suspiro cheio de ar negativo, vai ficar aqui, comigo. Sofro porque sinto. E sempre hei-de ser assim. Nada mais fará sentido se for ao contrário.

Vi o pôr-do-sol, tentei enterrar o tesouro. Mas neste momento, ele ainda conhece o caminho para casa.

Os prazeres desta quadra



O calor da lareira da amizade. O conforto de adormecer unicamente ao som do lume a crepitar e da voz aconchegante dos amigos. O pôr-do-sol com os amigos. A falta de coragem de acabar a madrugada com um chá.

O optar por um café.