15 novembro 2006

MUSE @ M.E.N. ARENA

Era sem dúvida um dos concertos que mais aguardava este ano. Depois de mais um grande álbum, era tempo para rever os Muse ao vivo. Era portanto enorme a expectativa.
E o facto de os Muse actuarem em Manchester duas noites seguidas, prova que a minha expectativa era partilhada por muitos outros.
Desta feita a minha localização na Arena foi excelente. Fiquei na bancada à direita do palco mas no piso mais inferior, bastante perto do palco. Começava bem a noite.
Os ânimos acalmaram depois da performance dos Noisettes que preencheram a primeira parte. A única coisa que conseguiram foi fazer jus ao nome, porque ruído houve bastante. As letras eram inaudíveis, a bateria ininterruptamente agressiva demais.
Saí mais cedo para voltar ao bar e queimar a última nicotina antes dos artistas principais entrarem em cena. Ao regressar ao interior da Arena, o ambiente começava a aquecer. Os sons que antecediam o concerto ajudavam, entre eles Arcade Fire, Nirvana, Rage Against The Machine... Entretanto o público nas bancadas inicia a onda que dura cerca de 5 minutos, criando uma atmosfera festiva.
Os Muse pisavam finalmente o palco e como previa o épico "Knights of Cydonia" abriu o concerto. Estrondoso início, ao fim de 10 segundos já estava completamente em pele de galinha... Além da fabulosa parede de som que ecoava a partir do palco, visualmente a banda encontrava-se igualmente bem servida. A bateria apareceu dentro de um cubo electrónico (não sei como explicar melhor...) e as imagens que ilustravam cada tema davam uma dimensão ainda mais especial. A adição de uma componente mais electrónica veio ainda dar mais força à banda ao vivo.
A maioria de "Black Holes and Revelations" foi tocado nesta actuação, mas ainda sobrou bastante espaço para os trabalhos mais antigos (apenas cometeram o pecado de deixar "Muscle Museum" de fora...). "City of Illusion" e "Starlight" foram os momentos de destaque do novo álbum. Até a mal amada "Supermassive Blackhole" foi recebida em delírio... afinal o pessoal gosta e não soou nada a Britney Spears! "New born" e "Stockholm Syndrome" ("this is the last time I abandon you / this is the last time a forget you..." foram as linhas mais poéticas da brilhante noite) mostram toda a densidade contida nas composições deste trio.
São puros épicos.
Matthew Bellamy esteve ao seu estilo, acabando por arremessar uma das guitarras para o público. Mas ao contrário do concerto que assisti em Lisboa, há uns anos atrás, os Muse não destruiram os instrumentos no final do concerto (facto que impediu o encore dessa vez).
Finalizou então um dos concertos do ano, aconselho vivamente, a todos os que tenham essa oportunidade, que não percam Muse ao vivo. Tempo de voltar à rua e continuar "chasing your starlight...".

P.S: os links dão acesso a imagens e sons do concerto a que fui. Obviamente a qualidade não é a melhor mas dá para ficarem com uma ideia.

27 outubro 2006

Viva a Rainha

Finalmente o merecido tributo à minha diva musical. Enjoy!

"Fidelity"


"Better"


"Us"

24 outubro 2006

GUILLEMOTS @ Manchester Academy 1

TUNNG @ Night & Day Café

Este Sábado, a noite foi passada no Night & Day Café. Este espaço situa-se na zona de Manchester conhecida por Northern Quarter, que para vos dar uma ideia corresponde ao Bairro Alto local. O Xposure Live, evento organizado pela XFM Manchester (equivalente a Radar FM em Portugal), era consistido por três projectos, Brightblack Morning Light, Jill Barber e Tunng.
Os
Brightblack Morning Light (BML) são daquelas bandas em que apesar de terem as ideias no sítio, apresentam ainda alguma falta de criatividade e rasgos que diferenciam os seus temas uns dos outros. Música vagarosa, vozes dissimuladas e uma semelhança inegável com bandas da linha de Tortoise. O set dos BML apresentou ideias que já têm bases para crescer, falta agora polvilhar-las com toques critativos.
A fadiga apertava, depois de um Sábado de trabalho, e a prestação dos BML não ajudou. Decidi sentar-me um pouco. Mas ao interpretar o seu terceiro tema,
Jill Barber fez-me levantar e aplaudir de pé o resto da sua actuação. Originalmente canadiana, Jill apresentou-se em palco com sua guitarra acústica e com um guitarrista solo que ia adicionando notas perfeitas às vocalizações da cantora, cuja voz preenche completamente as canções. Entre o country mais arenoso e o jazz mais fumarento, Jill canta os seus sentimentos sem rede, com letras bem explícitas. Uma cantora que passarei a seguir com atenção.
Finalmente chegava a hora dos
Tunng subirem ao palco e de uma vez por todas o cansaço desapareceu. A energia e a alegria que as composições deste sexteto emana rejuvenesceu-me. As canções do conjunto britânico começam normalmente com melodias pueris e inocentes, às quais são sobrepostas camadas de sons e batidas distorcidas, que tentam corromper a inocência dos sons iniciais. No meio desta anarquia sonora, os Tunng conseguem ser ditadores e manipular de forma a que a qualidade não seja lesada. A conjugação electro-folk-acústica é portanto perfeita, criando uma atmosfera refrescante.
O sexteto é composto por 3 guitarristas-vocalistas, uma vocalista que explora musicalmente todo o tipo de bugigangas e marroquinarias, outro elemento responsável pela percussão e um outro que lida com a parte electrónica. Apesar do leque de elementos que recheiam os temas, os Tunng mantêm uma organização sonora irrepreensível. Repito, são ditadores no meio do caos!

Os Tunng vão ser grandes, têm tudo para o ser. Caso não o sejam, não sou eu que não entendo nada disto, é só mais uma prova que o mundo musical está mais injusto que nunca.

20 outubro 2006

THE LEMONHEADS @ Manchester Academy 2



Ter a oportunidade de ver Lemonheads ao vivo, não passaria dum sonho há alguns meses atrás. Já sabia que Evan Dando estaria em Londres para alguma sessões acústicas e quando se confirmou a tour da banda, apressei-me a comprar o ingresso para o espectáculo.
747s foram a banda que abriram as hostilidades, apresentando um som alegre, a roçar o shoegazing diria mesmo. Bastante agradável, conseguiu manter-me entusiasmado apesar da ânsia de ver Evan e seus companheiros entrar em palco.
O arranque do concerto da banda norte-americana foi fortíssimo, presenteando o público com uma mistura de temas provenientes dos álbuns mais apreciados (Ít's a Shame About Ray, Come on Feel the Lemonheads e Car Button Cloth). A banda embalou e deu um recital.
Depois foi tempo de apresentar ao vivo o novo trabalho. Obviamente que o públicou afrouxou mas manteve o entuasiasmo porque novamente a banda intercalou as novas músicas com outras mais antigas.
A 3.ª fatia do concerto, talvez a que mais aguardava, foi preenchida por um set acústico protagonizado unicamente por Evan Dando. "Being Around", "The Outdoor Type" e "Favorite T" foram sem dúvida momentos que perdurarão na memória quem esteve na Academy 2 nesta noite.
A banda voltou para mais uma mão cheia de temas até que abandonou o palco, demorando apenas 30 segundos (!) a voltar para o encore. "If I Could Talk I'd Tell You" foi a cereja que finalizou a confecção deste concerto, sendo o único tema que compôs o encore.
Apesar do curto encore os Lemonheads conseguiram contentar-me. Lembro-me dos tempos em que Evan Dando chegou a interromper showcases por se esquecer das letras das músicas... que bom saber que está recuperado e de volta aos palcos!

13 outubro 2006

Cheira bem

Cheira a anos 80, cheira a Queen, tem coros retro... mas é tão bom! Recomendo vivamente uma ida a "Sam's Town" para visitarem os Killers!

P.S.: Destaques: "For Reasons Unknown", "Bones" e "Read My Mind".

P.S.2: Se alguém por acaso achar nalguma viela uma bilhete para o concerto em Manchester, eu compro...

12 outubro 2006

2 em 1



Eis o mais recente videoclip dos Muse, "Knights of Cydonia". Duas obras de arte juntas, o video e a música. Nunca mais é dia 11 de Novembro...

10 outubro 2006

Carro vassoura

Chegou a altura. Mais que nunca, olho para o retrovisor e não vejo ninguém, mais do que nunca. Sinto-me um Minardi em plena Fórmula 1... os Ferraris esses já estão comprados e prontos a ocupar. Ide, que a minha modalidade não é esta.
Alguém precisa de um carro vassoura?

COHESION LIVE @ PLATT FIELDS PARK

No passado dia 23 de Setembro dirigi-me ao Platt Fields Park, em Manchester para assistir ao festival Cohesion Live, organizado para obter apoio monetário para a região do Kosovo. O cartaz era agradável e talvez a causa humanitária do certame tenha feito com que os céus nos tenham brindado com um dia de Primavera perfeito, quando todos os prognósticos apontavam para mais um dia chuvoso. Também não é difícil, acertar num dia chuvoso em Manchester é quase como tentar acertar na chave de um Totoloto que só inclui um número...

Assustados pelo comprimento das filas que inundavam os poucos bares presentes no recinto, optámos por carregar o stock e abancar na relva enquanto as primeiras bandas desfilavam pelo palco. Graham Coxon era o primeiro nome sonante da tarde. O ex-guitarrista dos Blur apresentou o seu rock acelerado, repleto de tiques punk, anexados a melodias brit-pop q.b. O som acabou por tornar-se algo repetitivo e o final do concerto foi aproveitado por passear pelo resto do recinto que ainda não tinha sido visitado (Obrigado XFM pelos 3 isqueiros!!!).
Stephen Fretwell tocou enquanto eu tentava sobreviver à longa fila para o WC. E mesmo ao longe as melodias do seu som acústico acariciavam os tímpanos de quem estava atento.
Seguiam-se os Elbow, o primeiro concerto a que realmente queria assistir atenciosamente. E não desiludiram, com o seu som trabalhado até ao mais ínfimo detalhe e com temas que desfilam numa parede de som sempre em crescendo. Estupenda actuação ainda que não tenha sido possível assistir a todo o concerto porque entretanto fomos em busca da cerveja perdida. Quase todos os bares tinham esgotado a cerveja...daí as pequenas filas que agora perfilavam junto aos mesmos.
Por razões ainda desconhecidas, Lou Rhodes, a famosa voz dos Lamb, não actuou embora tivesse sido vista por diversas vezes a passear pela relva do parque.
E para finalizar em beleza, depois de mais um mini DJ set manuseado pelos elementos dos Doves (que dividiram as turntables do festival com Andy Rourke, ex-Smiths), entrava em acção Damon Gough, mais conhecido por Badly Drawn Boy. Arrancou com diversos temas do novo álbum que está prestes a sair, e que emitiram sinais positivos, porque soaram... a Badly Drawn Boy! Da actuação destacaram-se "Silent Sigh" e "All Possibilities". Muito boa disposição em palco e um sentimento muito especial sempre a sair das suas composições.
Depois era tempo de rumar até casa e discutir o que teria sucedido a Lou Rhodes...



26 setembro 2006

Bomba!


Assombroso é a palavra que vem à cabeça depois de ouvir o novo single de Damien Rice, que antecede o lançamento de "9", o novo álbum em Novembro.
Para ouvir no Cancioneiro Pessoal.

14 setembro 2006

Campeões humanitários

Há equipas de futebol e há equipas de futebol. Depois de nas últimas temporadas ter analisado diversas propostas para finalmente colocar publicidade nas suas camisolas, o F.C. Barcelona acabou por ser autor de uma iniciativa brilhante e que merece o aplauso de tudo e todos. Depois de negar todas as propostas de publicidade, incluindo a de um site de apostas, por não achar moralmente correcto, o Barça deu a mão à UNICEF e selou um acordo para ostentar no seu uniforme o símbolo dessa honrosa organização internacional. Um gesto de solidariedade que não me lembro de ter visto igual no futebol internacional.
Além de uma equipa fabulosa desportivamente falando, está também a revelar-se uma entidade com uma veia humanitária invejável.
Bem haja campeões.

12 setembro 2006

Um ano de Manchester

Completa-se hoje um ano que me mudei para Manchester. Que melhor altura para um balanço?
Profissionalmente, foi ano enriquecedor, dentro das minhas expectativas. Obviamente que vamos encontrando coisas desagradáveis pelo caminho mas há que contorná-las elegantemente.
Socialmente, é um carrossel de altos e baixos. Há dias de saudades, há dias de muitos sorrisos, há reencontros e há despedidas, basicamente, as emoções andam quase sempre à flor da pele. Sinto falta de muita coisa logicamente. Do cheiro de minha casa, da minha nina, dos meus extraordinários amigos (vocês sabem quem são) e a dor é lancinante quando nos vêm à memória momentos passados na companhias destes mesmos. O cinzento que predomina nos céus ingleses rima muita vez com a cor do meu estado de espírito. Mas isso dá azo a outras coisas boas, motivou-me a escrever os meus textos outra vez, a retirar-me espiritualmente na minha música melancólica para que o meu interior não se sinta tão desamparado.
Novas amizades foram crescendo ao longo destes 365 dias, não muitas, as necessárias para fazerem valer a pena esta aventura um dia que olhe para trás. Posso felizmente afirmar que já tenho muitos bons momentos passados em Manchester dignos de figurarem no meu álbum de recordações.
Obrigado a todos os presentes e ausentes que me ajudaram a passar os momentos mais desagradáveis.
10 MÚSICAS PARA UM ANO DE MANCHESTER
> IRON & WINE: trapeze swinger
> REGINA SPEKTOR: us
> GUILLEMOTS: blue would still be blue
> BEN FOLDS: annie waits
> RAZORLIGHT: golden touch
> RUFUS WAINWRIGHT: the one i love
> THE KILLERS: Mr. Brightside
> THE RAKES: 22 grand job
> FRANZ FERDINAND: walk away
> STEREOPHONICS: dakota

05 setembro 2006

G.D.R.G.

Com tantos amigos, quer na equipa, quer na direcção, seria impossível não desejar aqui no meu cantinho a melhor sorte ao novo Gafetense, que cumpre este ano o seu ano zero.
Já fazia falta a renovação da direcção e creio que está recheada de gente capaz e entendedora do que se lhe pede. Agora, é preciso fibra, porque todos sabemos que não é nada fácil construir e manter entidades em Gáfete, nunca foi nunca será. Mas esse pormenor é outro detalhe que motiva quem conduz essas mesmas entidades. Têm todo o meu apoio, mesmo que à distância.
Só um conselho: não coloquem fasquias para este ano zero para que não hajam dissabores. Tudo o que conquistarem este ano serão bónus e para o ano, já com mais calo e uma maior noção desse trabalho, aí sim chegará a altura de exigirem algo de todos vocês. Até lá, mãos à obra e divirtam-se porque essa é a meta mais importante.

10 agosto 2006

Factor X

O factor X da história é a condicionante imprevisível e incontrolável do rumo dos acontecimentos. Aquele acontecimento impossível de prever e que marca indelevelmente o decurso da Humanidade.
A primeira vez que me cruzei com o factor X, foi no dia 11 de Setembro de 2001, quando em pleno auge dos ataques terroristas, estava eu a tentar telefonar para Washington, numa tarefa integrada no meu estágio curricular. Mal sabia eu a razão pela qual obtia do outro lado da linha a resposta: as linhas telefónicas encontram-se momentaneamente indisponíveis... Pudera!
Hoje, pela segunda vez, o factor X veio ao meu encontro. Na véspera de embarcar para as merecidas férias em Portugal, eis que um possível atentado aéreo faz com que todos os aeroportos britânicos fiquem congestionados. E o último dia de trabalho antes das férias, que deveria ser relaxada, com uma ante-câmara do que se passará nas próximas semanas, tornou-se num quebra-cabeças. Será que há vôo? Se sim, com quantas horas de atraso? E como carregar 2 computadores portáteis numa mala que vai sofrer atrocidades até repousar no porão? Só espero que amanhã por esta hora, possa rir-me ao relatar todos estes percalços enquanto saboreio uma mini Sagres...

09 agosto 2006

Tradições

Gosto de tradições. Muitos dizem que foram feitas para serem quebradas, como os recordes. Mas acho piada quando, mesmo contra ventos e marés, as tradições se mantêm de pé.
Costumamos agarrar-nos a elas quanto temos toda a força da lógica contra nós.
Eu vou fazê-lo mais uma vez. E fazer força para que se mantenha a tradição de que quem marca de calcanhar em Viena, seja campeão europeu...